Pessoas Desaparecidas

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Pais de engenheira que desapareceu na Barra sonham com reencontro - Extra

July 21st, 2008 · Sem comentarios · Canais

Gabriela Moreira - Extra

Tania Marcia Amieiro Branco de Franco e Antonio Celso de Franco, pais da engenheira desaparecida Patricia Almieiro. Foto: Pablo Jacob/Extra

RIO - Junto à cama, Patrícia Amieiro de Franco, de 24 anos, colecionava seus sonhos. No topo da lista, a engenheira desaparecida após suposto acidente, na Barra, pedia um bom emprego. Na seqüência, pedia ao destino que lhe reservasse um bom carro. Na lista dos desejos, a jovem que gostava de dançar e jogar baralho, mantinha os votos que ela fazia para a vida inteira: paz e tranqüilidade.

- Ela tem no armário, preso perto da cama, tudo o que ela sonhava. Em primeiro, pedia um bom emprego, mas tirou, porque já estava no que queria. O carro ela já tinha, mas preferia ter um Ecosport. Depois, ela escreveu paz e tranqüilidade - contou a mãe, Tânia Márcia Amieiro, de 51 anos.

- É uma forma de ela memorizar os objetivos. Ela escreveu tudo que queria conquistar e ia riscando - disse a mãe, que se refere à filha como “minha princesinha”.

Nascida após os pais terem dois rapazes, Patrícia sempre foi o xodó.

- Ela tinha um corpinho de garota de Ipanema, não era magricela… Adorava praticar esportes e jogar futevôlei na praia - disse, orgulhoso, o pai Antônio Celso de Franco, de 54 anos.

Foi com ele que Patrícia fez a última refeição antes de ir para o show no Morro da Urca, no dia 14 de junho. Celso ainda brincou com a filha:

- Ela sempre foi muito agitada. Vivia esquecendo as coisas. Neste dia, ela estava com pulseira de argola e como estava correndo, ela fazia barulho. O pai até brincou: parece uma vaquinha balançando o sino - lembrou Tânia.

Desabafo em carta

Na última segunda-feira, quando completou um mês do sumiço da engenheira, uma das amigas de Patrícia, Carolina Araújo, enviou uma carta de desabafo às demais amigas.

“Cadê o final da história da Patrícia? A sensação é de que ela vai voltar e dizer que tá tudo bem! Só que ela não volta! Quando o dia começa, o sentimento é de esperança que ela apareça, que ela volte, que alguém tenha alguma notícia sobre aquele dia! Mas aí anoitece e tudo continua na mesma. A noite traz a impunidade!!!! O que aconteceu? Por quê? Onde ela está?”, pergunta a amiga. (Leia abaixo a íntegra da carta.)

Certeza de que engenheira não estava no carro

Abraçada aos bichos de pelúcia de Patrícia, Tânia faz um pedido, com a voz embargada:

- Desejo minha filha de volta para ter de novo a nossa família inteira. Quando ela voltar eu vou dar uma festa e reunir todos os amigos.

A certeza de que a filha está viva é o que alimenta Celso e Tânia.

- Acredito que ela tenha sido abordada, raptada, e alguém levou o carro. Mas ela não estava naquele carro, não estava… Não tem nem cabelo. Só pegaram um fiapo. E pancada solta cabelo. Isso não está no laudo, mas tenho certeza que ela não estava lá. Podia ter qualquer pessoa - diz Celso.

PMs não viram nada

O carro de Patrícia foi encontrado com perfurações de pistola 40, 9mm e 380, nas margens do Canal de Marapendi. Segundo os policiais militares que presenciaram o suposto acidente, o carro bateu num poste e despencou pela ribanceira, a 15 metros da Auto-Estrada Lagoa-Barra. Os cabos William Luis do Nascimento e Marcos Paulo Nogueira Maranhão, do 31 BPM (Recreio), no entanto, disseram que Patrícia já não estava no veículo, quando chegaram ao carro.

- A chance de ela ter caído junto com o carro é pequena, mas não pode ser descartada - disse o titular da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Marcos Reimão, onde o desaparecimento é investigado.

Fonte: Jornal Extra Online

Leia a carta escrita por Carolina Araujo, amiga da engenheira Patricia Amieiro, desaparecida após bater de carro

Extra Online

A engenheira desaparecida na Barra Patricia Almieiro. Foto: reprodução do álbum de família

RIO - Leia a íntegra da carta escrita por Carolina Araujo, amiga da engenheira Patricia Amieiro Franco, de 24 anos, desaparecida desde a madrugada de 14 de junho após bater de carro na Barra da Tijuca. Ela enviou a carta para amigos e parentes da jovem, quando o sumiço dela completou um mês:

Rio, 14 de julho de 2008.

“Eu não sei se isso adianta alguma coisa, mas hoje completa 1 mês que estou me sentindo uma IDIOTA.

“Há 30 dias atrás, nesse mesmo horário, era uma sexta-feira comum de Junho. E como de costume falei com as meninas sobre o que fazer no final de semana. Pat tinha a idéia fixa da festa Junina do Morro da Urca. Ela falou disso a semana inteira. E por algum motivo maior, que eu tbm não sei explicar, não fui. Nos falamos umas 6 vezes naquela sexta e eu não podia imaginar que seriam as últimas vezes que eu falaria com ela. Infelizmente eu fui acordada, por volta das 8h de sábado, por uma ligação insistente e a partir dali percebi que não teria mais a mesma tranquilidade de sempre. Junto com o desaparecimento da Pat veio a falta de sono, o medo, o choro, a tristeza, a agonia, a dor, a impunidade e muitas outras questões ainda não esclarecidas.

“Aquela cena parecia um filme de ação, mas na verdade era de terror. Tudo aquilo mexeu com o emocional das pessoas que, por ela, têm um sentimento. E quem tem o privilégio de conhecer a Pat sabe que nada daquilo combina com ela. O que aconteceu? Porque? Onde ela está? A gente quer a Pat viva, a gente quer a Pat morta, mas a gente quer a Pat!!!!!

“É uma agonia terrível não saber o que aconteceu. A gente precisa dar dignidade a essa história!!!! Dar dignidade à Patrícia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Alguém, por favor, ainda tem coração???? Não suportamos mais a idéia do “NÃO SABER”. O que é isso???????????????

“O tempo tá passando e continuamos sem solução, nada muda, as pessoas vão se calar e vai ficar por isso mesmo. NÃO!!! CHEGA!!!!

“Um carro cheio de tiros e ng sabe de nada? Ng viu nada e uma jovem desaparece?????? Cadê????????????? Isso, além de tudo, é uma questão de segurança!!!!!!!!!!!!!!!!!

“Hoje completa 30 dias que estamos sofrendo, estamos rezando, estamos tentando continuar. Mas peraí, continuar o que??? Não dá pra continuar!!!!!!! Quando uma pessoa morre naturalmente é muito triste, é sofrido, é ruim. Quando uma pessoa tem a vida interrompida, além de tudo isso, é cruel. Mas quando uma pessoa desaparece é perturbador, é terrível, é uma pergunta sem resposta, é um VAZIO!!!!!!!!!!! A gente precisa de todo aquele ritual pra entender que a pessoa não está mais entre nós e que vai ficar com Deus. Hoje eu descobri que essa cultura alivia a nossa dor, vc chega ao fim da história. Cadê o final da história da Patrícia????????????????? A sensação é de que ela vai voltar e dizer que tá tudo bem!!!! Só que ela não volta!!!

“Cada vez que a foto dela aparece na tv ou no Jornal, destrói a gente mais um pouquinho. É uma dor lenta!!!! É uma dor a mais! Quando o dia começa, o sentimento é de esperança que ela apareça, que ela volte, que alguém tenha alguma notícia sobre aquele dia!!! Mas aí anoitece e tudo continua na mesma. A noite traz a impunidade!!!!

“Só ela pode contar a verdade!!!!!!!!! Mas ela não tá aqui!!!! Será que vão permitir que ela conte??????? É muita crueldade!!!!!! É alguma coisa que não dou nome…… Pq não saberia explicar!!!

“Que ironia…. De madrugada, com essa violência toda, quando a gte chega ali e vê a placa “Sorria! Vc está na Barra!” vc pensa: “Pronto… cheguei em casa!!! Tô segura!!” Ainda mais pq tem um carro da polícia que tá ali pra te proteger!!!!! Hoje, eu passo ali com medo, com raiva e com dor!!!!

“A Pat é uma menina muito querida, ela é engraçada, é simpática, linda, inteligente, com um empregão, apaixonada e com um namorado louco por ela tbm, uma família animada onde tudo vira motivo pra festejar. Não foi só a Pat que desapareceu!!!! Um pouco de todos nós tbm!!!! Eu não quero sentir culpa por seguir em frente sem saber se ela tá viva, morta, sofrendo ou se recuperando em algum lugar, ou o que quer que seja!!! Quem pode nos ajudar????????? Quem??????? Eu não quero mais 30 dias como esses!!!!!! Isso não é justo!!!!

“A Pat é um sorriso estampado na cara e não uma lágrima de dor!!!!!!!”

Carolina Araujo

Fonte: Jornal Extra Online

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