Desaparecido há 212 dias, Luiz Eduardo Gonçalves, o Dudu, deixa de ser um “caso” investigado para ser mais um número na estatística, como não solucionado. O Caso Dudu, que comoveu Mato Grosso do Sul, teve o auto de investigação “engavetado”, reclama a família do menino.
O pai de Dudu, Roberto Gonçalves, disse que há 60 dias não existe uma movimentação qualquer por parte da polícia para investigar o desaparecimento. “Acho que a polícia não está mais preocupada. Não estão mais ligando para o caso”, afirma. O caso saiu da mídia e “eles não estão procurando; apenas querem saber de pessoa que vá até eles. Eles ficam esperando”, acrescenta.
É Roberto que todos os dias, recomeça a busca pelo filho que desapareceu no dia 22 de dezembro de 2007. Ele afirma que tem certeza que o filho foi levado para longe. “A esperança minha como pai é de meu filho voltar vivo. Tenho plena esperança que está vivo, mas levaram ele para longe. Só que a polícia não procura saber”, afirma.
Outro caso de grande repercussão e ainda mais antigo, o da adolescente Marcela Conceição Souza, de 15 anos, que sumiu em setembro de 2004, continua sem solução e não desperta mais interesse da polícia.
Nacional - A angústia de pais sul-mato-grossenses, sem solução para o sumiço dos filhos, é a mesma sentida por gente em todo País. Até a presidente e fundadora da Associação Mães da Sé, Ivanise Esperidião da Silva Santos, que busca a filha há quase 13 anos, teve o caso arquivado. “Procuro minha filha há quase 13 anos. Em 2004, descobri através de um delegado que o auto de investigação estava arquivado. Se eu for lá, tenho certeza de que vou encontrar meu caso arquivado novamente”, afirma.
Conforme a Associação Mães da Sé, 204 mil pessoas desaparecem por ano no Brasil.
Ivanise diz que a busca de desaparecidos não é prioridade para a polícia. “Quando você tem um veículo roubado e vai registrar, automaticamente cai no registro nacional, não importa nem o ano do carro, se é velho ou novo. Tem cadastro único de veículos e não tem de desaparecidos. Está tudo errado. O desaparecimento é coisa muito séria e quem tem poder de mudar não muda. É uma luta solitária”, diz.
Problema social - Em 13 anos, a Associação cadastrou 7.3 mil crianças desaparecidas. Até 31 de março, 2.007 haviam sido encontradas (1.825 foram encontradas vivas, 182 mortas). “É um problema social muito sério”
Segundo ela, quando mais rápida começa a busca, maior é a chance de encontrar a pessoa desaparecida. “A Lei de Busca Imediata não é cumprida. Você vai para a polícia e o delegado não faz a ocorrência de imediato. Ele diz: ‘volte daqui a 24 horas’. Ele não faz a ocorrência de imediato porque não é filho dele”, afirma.
O mesmo ocorreu com Dudu, a polícia só entrou no caso três dias após o desaparecimento, ocorrido perto do recesso de natal.
A presidente da Associação de Mães da Sé explica que o primeiro passo para quem procura um desaparecido é ir à polícia, além de fazer buscas por conta própria. Ela diz ainda que os pais não devem perder a esperança porque existem casos de pessoas que são encontradas muitos anos depois.
A assessoria de imprensa da Polícia Civil garante que o caso não foi arquivado, mas admite que não existe qualquer novidade sobre o desaparecimento do menino, aos 11 anos.
http://www.portalms.com.br/noticias/Inquerito-engavetado-Dudu-vira-
mais-um-caso-sem-solucao/Mato-Grosso-do-Sul/Geral/18286.html














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